A experiência negativa vivida pelo Sp. Braga nos Açores, em que ao intervalo vencia por 3-0 mas depois permitiu a reação do Santa Clara até ao 3-3, acentuou uma realidade que tem marcado todos os encontros oficiais dos minhotos neste arranque de temporada. A equipa comandada por Abel Ferreira ainda não conseguiu apresentar-se de forma constante do início ao fim de um desafio, revelando evidentes dificuldades em controlar as operações quando se encontra em vantagem, o que belisca o poder ofensivo que tem sido demonstrado.
Os três golos sofridos em Ponta Delgada no espaço de 16 minutos representam o caso mais recente que atesta lacuna no futebol arsenalista. Mas convém puxar a cassete atrás. A época começou com o Sp. Braga a jogar na Ucrânia, para a Liga Europa, num encontro em que Ricardo Horta colocou os minhotos na frente aos 69’, mas três minutos volvidos o Zorya empatou. Poucos dias depois chegou a estreia na Liga NOS, noite em que o Sp. Braga e o Nacional chegaram ao intervalo com 2-2 no marcador e depois dos minhotos terem estado na frente por 1-0 e 2-1. A postura na 2ª parte desse jogo (terminou com triunfo por 4-2, o único até ao momento) acaba por ser uma exceção neste quadro comportamental. Seguiu-se nova partida com o Zorya, na Pedreira, e o Sp. Braga voltou a estar na frente por 1-0 e 2-1, mas deixou fugir essas vantagens e a igualdade final a duas bolas atirou a equipa para fora da Liga Europa.
Em todos estes casos o Sp. Braga teve dificuldades em gerir as vantagens, algo que se tornou notório com algumas desatenções em momentos que se revelaram capitais e que foram contribuindo para o crescimento perigoso dos adversários durante os encontros.
Abel Ferreira está plenamente consciente desta realidade, de tal forma que no final do desafio com o Santa Clara assumiu ter faltado "discernimento e calma" aos seus jogadores. "Devíamos ter tido outra maturidade competitiva para segurar a vitória", disse ainda.
Em suma, o Sp. Braga marcou dez golos em quatro desafios... mas sofreu oito!